01 abril 2008

Fornos de Algodres ... há 85 anos

No dia 1 de Abril de 1923, um Domingo, publicou-se em Fornos de Algodres o primeiro número do jornal “A Opinião”, que se apresentava como “semanário independente”.

Dirigido pelo Dr. José Cabral, advogado, tinha como editor e proprietário Eugénio de Pina Cabral, que era também dono da “Tipografia Mondego”, onde o periódico se imprimia.

Este primeiro número tinha quatro páginas e era ilustrado com uma vista geral de Fornos de Algodres, em fotografia, que vinha publicada na capa (que a seguir reproduzimos):

Na resenha que fez da imprensa publicada em Fornos de Algodres, Mons. Pinheiro Marques informou que “A Opinião” suspendeu a publicação com o nº. 22, em 28 de Outubro do mesmo ano (Terras de Algodres, p. 165).

Como é próprio da imprensa local, a primeira edição d’ “A Opinião” é um manancial precioso de informações sobre a vida em Fornos de Algodres há 85 anos, registando notícias, nomes e eventos da sociedade local, deliberações municipais, tomadas de posição sobre a política nacional e local (que, naturalmente, terão de ser interpretadas à luz do posicionamento dos responsáveis pelo jornal), ... A análise da publicidade, que ocupava parte da terceira e a totalidade da quarta página, também permite tirar interessantes ilações sobre a economia e a sociedade fornense da época. Uma nota sobre a história de Fornos de Algodres, publicada em destaque na primeira página, demonstrava (aliás, de forma assumida), o pouco que se sabia a esse respeito.

Na impossibilidade de aqui reproduzir os inúmeros motivos de interesse desta publicação, deixamos apenas, a título de curiosidade, um exemplo do tom crítico (e frequentemente irónico) com que em geral eram apreciadas as matérias da responsabilidade do município:
“A NOVA VEREAÇÃO está cuidando de arborisar a vila. Não seria preferivel arborisar antes a serra?
Aquelas arvorêsinhas plantadas ali, no largo do Espirito Santo estão mesmo um encanto.
Quem teria sido o engenheiro? Queriamos pedir-lhe que plantasse aqui e alem uma figueira. Para que qualquer judas tivesse á mão onde enforcar-se...”
.

Ou ainda esta discutível avaliação do espírito fornense e da sua possível influência no desenvolvimento local:
“A’s abas dos Herminios, pondo sempre ante os nossos olhos, em extase, o lindo e quieto panorama da Serra, faz de todos nós uns contemplativos, e isso quiçá explique a morosidade do seu desenvolvimento.”.

Sendo evidente a importância deste tipo de publicações como fonte de estudos, de várias disciplinas, sobre as vivências locais, é necessário, como já referia Mons. Pinheiro Marques, promover em permanência a respectiva inventariação, preservação e disponibilização ao público, o que será também uma das preocupações da associação “Terras de Algodres”.

O primeiro número d’ “A Opinião”, hoje aqui recordado (que nos foi gentilmente disponibilizado pelo Dr. Pedro Pinto), irá ficar acessível, em suporte digital (dada a fragilidade do original) no acervo documental do CIHAFA.

4 comentários:

JPCLEMENTE disse...

Como faz falta hoje um jornal dessa índole em Terras de Algodres!

Anónimo disse...

É interessante essa referência à arborização da serra. De facto, já tinha visto fotos antigas do concelho de Fornos onde a paisagem aparece ainda mais despida do que se apresenta hoje. Parece, pois, que o drama dos incêndios não é de agora e que os efeitos na altura, por natural falta de meios técnicos e acessos, ainda seriam piores. Por vezes, face ao desconhecimento do passado, tendemos a pensar que vivemos no pior dos tempos. A História tem o condão de nos mostrar que não é bem assim. Talvez o problema hoje seja a frequência criminosa que eventualmente seria menos activa na altura. Mas também a relação com a terra era outra e com a floresta era outra.

A. Valera

al cardoso disse...

Uma excelente ideia essa da digitalizacao desses documentos, embora nao tao antigos tambem eu tenho alguns artigos e jornais que um dia irei digitalizar!
Infelizmente o tempo e pouco, quem sabe se conseguir chegar a reforma, poderei concretizar muitos projectos que tenho em mente!

Um abraco de amizade dalgodrense.

notoj@l disse...

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